AFAR

PROJECTOS ARTÍSTICOS DE ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA

Frequentei a Escola de Artes Antonio Arroio entre 1980 e 1982 nas Olaias. Foram dois anos de intensa experimentação juvenil e de descoberta do poder da Arte, da Musica e da Revolta. 

Ao mesmo tempo, e nos anos seguintes, absorvi quase por osmose, a natureza artística do meu pai, o Pintor Arnaldo Louro de Almeida, quem foi director da Antonio Arroio por vários anos. 

Observo que a minha relacao com a Arte aparece em quatro grupos distintos mas com múltiplas linguagens por grupo.  Digo observo porque toda a minha obra vem de uma zona onde não consigo acessar voluntariamente no sentido de um planeamento consciente. Apenas pela Arte posso aceder a essa esfera de energia pura. 

Dois desses grupos parecem ligados ao Tempo e a alguma forma de memória, um outro grupo de obras ligado está ligado ao Espaço e um quarto está ligado à felicidade e à infância.


Em certas obras algo que parece vir do passado. 

Quero dizer: com algumas obras procuro “lembrar-me de Algo”. Ou pelo menos não me esquecer de que preciso de me lembrar de Algo. Como aquilo que se manifesta nesse tipo de obras tem a ver com a memória, com a sensação de reminiscência, tendo a situar essas obras como uma ressonância de uma espécie de passado - não necessariamente um passado no tempo mas em algum quadrante da minha consciência. E algo que conheco, que sei que sei, mas que não consigo aceder facilmente. 

Nesse sentido a Arte ajuda a restaurar a memória. É uma civilização do passado remoto? Ou um mundo próximo da Idade de Ouro? Será uma parte do meu ser que vive em contacto com os arquétipos eternos. Porque ressoam com a mesma sensacao subjectiva de um passado remoto? É a memória de um tempo perdido? De onde vem? 


Outro grupo de obras que parece querer imaginar um futuro. Por outro lado um outro conjunto de obras - as vezes coincidente com o primeiro grupo - parece vir do futuro. Concordo com a teoria de que a arte e uma forma de imaginar o futuro e que a arte permite-nos escolher uma visão do futuro antes de o concretizar politicamente. Nesse sentido é um espaço experimental seguro. Faço essas obras como se abrisse o acesso a uma maquina do tempo. Permite-me fazer a pergunta: e se o futuro fosse assim? Essas sao obras que funcionam para mim como um telescópio, não no espaço mas no tempo, ou seja, uma tentativa de ver longe no tempo. Para onde vai? 

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O terceiro grupo são uma tentativa de parar o tempo. Não existem como reminiscência de arquétipos ou como uma memória do futuro mas como formas de ocupar o espaço com algo que me interessa ver. Por um lado são obras decorativas - são feitas para embelezar, criar um cosmos - e digo isto sem problemas de afectação entre alta cultura e decoração. sempre gostei de “pretty”. Oscilam entre atmosferas de infância a obras Ambient cujo valor é a presença e não a historia que tentam contar. Por outro estas obras “do presente” acentuam o momento exacto que não passa por nós mas nos contém, por onde o Eterno quer entrar nas nossas vidas. Tem a ver, talvez,  com “estar”.

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Existe um quarto grupo de obras - que tem uma qualidade feminina e infantil -  e que apresenta um sentido de aconchego e ternura, com a busca de uma felicidade simples. Essa felicidade pode começar no olhar sobre um quadro e depois estender-se ao coração. Sao pinturas para nos tornar feliz de forma simples e directa e falam à nossa crianca interior. Experimento com cor e percebo que a cor e a forma simples dão serenidade e felicidade, mas não tenho uma teoria sobre isso. Pode ter a ver com o conceito nordico de Hygge e é talvez um legado de um sol em Cancer e de uma Lua em Balança.

A seleção nesta galeria contém obras desses quatro grupos.

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