RODA

PACOTE DE AULAS

Quem pode "dizer" o milagre da MULHER melhor que a Vida mesma que Nela se forma e emerge, que Nela adquire contorno e som?


Quem pode "representar" esse milagre? Quem pode reinventar o poder delicado e o abismo simétrico da MULHER? Quem pode teorizar sobre o perfume da exótica alegria, sobre a tristeza que é sorriso e sobre a dor que é a Vida?


Quem pode mascarar o prazer latente e o diálogo aquático e sem fim? Quem pode calar o vasto murmúrio do movimento perpétuo do amor ou o grito da justiça alada?


Quem pode dar nome vivo ao Nome Vivo que é MULHER? Que anjo impossível fará a vez do canto materno? Que virtude muda pode eclipsar a exuberância das colinas? Que sinfonia pode fazer crescer as plantas mínimas e multiplicar as células vibrantes? Qual a formula para o milagre que respira?


Quem, senão Ela, olhou, com olhos divinos, a substancia adormecida e, mudando uma era, afirmou: também tu existes, matéria! E que entendimento respira no peito, Dessa, onde o Coração Universal arde?


Arte nenhuma e toda a Arte, a MULHER calou o esteta e paralisou o violento. Até os demónios escuros emudeceram quando a Deusa se desvelou e mesmo os astronautas choraram como crianças quando contemplaram a joia safira, ópera matemática e física sob o Sol.


Quem pode abençoar a colheita e ainda assim rir da ambição? Quem guardará  das ondas do medo o cordeiro e o bezerro e ainda assim rugir como leoa? Que ideia pode nascer onde a MULHER secou? Que lar maior pode erguer-se onde a MULHER se calou?


Um milhão de anos passaram e a esfinge de carne e luz, doce e exacta, em cada MULHER, ainda mantém as pálpebras descidas, em vigília secreta, longe do pântano da História: cada guerreiro que cai, cada criança no nevoeiro, cada ancião sem rosto, uma flecha no Seu corpo.


Nas grutas oceânicas com cabelos verdes, nas gazelas humanas dos Massai, nos bordados filandeses, nos pináculos de Constantinopla, em Milão de design subtil, ela existe plena e desconhecida, focada e desfocada, mítica e tangível.


Quem pode conter a perigosa ousadia de Artemísia, quem mumificará Atenas? E quem domesticará Perséfone? Que máquina se chamará Demeter? Quem decepará o braço erguido de Héstia? Quem pode julgar a dança vermelha de Afrodite? E quem olhará alguma vez Sophia nos olhos?


Quem curou o corpo e encantou a alma do soldado? Quem tocou o metal perigoso e radioactivo? Quem calou a multidão e escutou o profeta? Quem subiu a montanha para encontrar a raíz preciosa? Quem chamou amigo aos animais e ainda assim afastou a hiena? Quem manteve o fogo aceso na noite de chuva?Quem moeu o pão e salgou o peixe? Quem desenhou no quadro as primeiras linhas dos sons da fala?


Quem atravessou o deserto cantando para os homens e caindo, e cantando? Quem guardou o livro do génio enlouquecido? Quem confraternizou com o marinheiro e se perdeu na distancia? Quem escreveu A Obra ao Negro? Quem viu as órbitas dos astros no seu útero? Quem escutou a Voz e escreveu a Yoga do Fogo?


Quem, em Veneza, atravessou a noite para amar? Quem, em Assis, aspergiu água pura na testa do Visionário? Quem viu pela primeira vez o corpo ressurrecto do Apolo da Nazaré?


Esta, e estas, e tu mesma, sempre, és o veio radiante onde o templo antigo se renova rumo aos futuros de neon iridescente, onde veados de quartzo vivo e cetáceos de neon consciente transportam as crianças alucinantes da Alegria Vertical.


Dizer "ergue-te da teia do tempo e liberta-te das mentes arcaicas" é dizer muito, e pouco, porque tu guardas a Coroa do Mundo, a coroa que será doada a todos os homens no Dia Puro, o Dia da cura das Nações.


Em ti, MULHER, o meu olhar se perde e o meu coração canta, as minhas veias enchem-se de honra e poder, a minha alma se significa mais, o meu corpo se encontra e o meu Espirito se revela.


Lembra-te de nós,, homens, compadres, compañeros, esposos, amantes, guerreiros, reis rídiculos, escultores, quixotes patéticos, cosmonautas, cirurgiões, mártires e messias, governantes e errantes...


Lembra-te de nós, faroleiros, geómetras, toscos, renascentistas, pais severos, os-que-fitam-o-horizonte, heróis assustados de alma fragmentada e coração suspenso, esvaídos nas cavernas da líbido e nas arenas da guerra, nos mundos das mentes sem eixo , no mundo de todos os descontentamentos... nas catedrais de silencio ... nos hinos escritos para violoncelos azuis...


Mas, Tu sabes, no fim encontrar-nos-ás no cume da falésia, frente ao mar, sempre, segurando a Rosa que é o Tesouro do Ser.. para ti...


Porque só tu poderás curar este mundo, MULHER.


Andre Louro de Almeida, 2011




O que significa "Descer ao encontro da Deusa?" Descer de onde? Para onde? Um encontro com a Deusa? Em que condições? Qual o contentor, o vaso ritual apropriado? O que emerge da coordenação entre a personalidade feminina e o potencial da Deusa Interior?


O caminho iniciático, que define o desdobrar do potencial espiritual de um Ser, nas suas etapas psicológicas reveste-se de aspectos diferentes no homem e na mulher. Existem bloqueios, tendências, estações e desafios distintos, além de formas próprias de viver o processo de Individuação. Além disso cada sexo gera modelos distintos e manifesta diferentes estratégias de adaptação e intervenção criativa no meio ambiente, social e cultural.


Neste ciclo de estudos aprofundaremos a natureza da psique feminina desde a sua génese até a sua auto-realização.


Procuraremos mergulhar no mistério da geração e da sensibilidade ( qualidades femininas ) e na sua ligação tanto com o plano terrestre, psico-social e cronológico como com o plano espiritual, multidimensional e eterno.


O que modela a nossa psique como "feminina" ou "masculina" é a participação em grupos distintos de misteriosos modeladores psicológicos, fontes sagradas, que vivem e irradiam além do nosso consciente. São comparáveis a Deusas que operam no fundo de cada um de nós e buscam tornar-se parte de nossa vida consciente. Jung definiu estes centros de gravidade da Psique profunda como Arquétipos.


Existem sete arquétipos do feminino – A Guerreira, A Racional, A Protectora do Fogo Sagrado, A Mãe, A Psíquica, a Esposa e a Amante – que se sintetizam num oitavo arquétipo – Sophia – A mulher iluminada.


Estudaremos em profundidade:

  • Hera – A Esposa

  • Artemisia/Diana – A Guerreira

  • Héstia – A Guardiã e Protectora do Fogo Sagrado

  • Atenas – A Planificadora da Cidade

  • Afrodite – A Mulher como veículo do Eros Universal

  • Perséfone – A Psíquica e Oráculo

  • Demeter – A Mãe 


E finalmente o Arquétipo Central que harmoniza todas estas tendências: Sophia.


Ao longo do curso tentaremos compreender a verdade profunda sob o véu de várias narrativas tradicionais entre os quais:


O Rapto de Perséfone – ou sobre a integração da dualidade como parte do Caminho Iniciático.


A Bela Adormecida – ou a ocultação e despertar da Alma em tempos de trevas


O Capuchinho Vermelho – ou a função da desobediência na procura de si-mesmo.


A Donzela das Mãos de Prata – Degradação e Regeneração do poder da Deusa na cultura contemporânea.


Exemplos e simbolos do mundo da Politica Internacional, do Cinema, do Desporto, da Ciencia, da Filosofia e das Artes, etc., serão aprofundados durante o trabalho.


R O D A  pretende ser um nucleo de estudo sobre a natureza profunda e interna da feminilidade bem como um laboratório existencial que permita a libertação efectiva de forças de luz, visão e criatividade entre as participantes e as suas arenas social, familiar, profissional e íntima.



CARACTERÍSTICAS


67 horas [vídeo]

Falado em português

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